A bovinocultura de leite cresce no Oeste catarinense e tem efeito multiplicador sobre a economia regional

A bovinocultura de leite cresce no Oeste catarinense e  tem efeito multiplicador sobre a economia regional

sexta-feira, 17 de novembro de 2017

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Leite: Um produto  global e local  -   Como o mercado internacional e aumento do consumo interno podem alavancar ainda mais a produção de leite em SC
 
 
Contra números não há argumentos e na atividade leiteira essa máxima tem uma nova região produtora despontando  com forte efeito multiplicador sobre a economia regional.  Apesar do preço em baixa nos últimos meses, olhando em uma linha do tempo mais ampliada, o leite vem despontando como ítem  considerável da balança comercial, destino de investimentos  e alternativa para um segmento que aprendeu com a avicultura e com a suinocultura a se organizar em cadeia produtiva, altamente tecnificada e competitiva. Certo que existem desafios de produtividade, de competitividade  com agressivos mercados internacionais e de oscilação de comportamento do consumidor, hora por consumo influenciado por modismos,  hora por impacto de perda de poder aquisitivo. Certo também que a cadeia do leite está crescendo em escala e qualidade e despontando como atividade econômica de forte impacto social.
Recentemente, através da sua Produção Pecuária Municipal (PPM), o IBGE divulgou dados sobre a produção total de 2016, na qual se confirma que a exemplo de 2015 houve novo decréscimo na produção brasileira e que a Região Sul se consolida como maior produtora do Brasil. Uma das novidades desses dados é o fato de pela primeira vez na história Santa Catarina aparecer como quarto produtor nacional, superando o estado de Goiás. 
 A Região Oeste responde por 76% da producao catarinense indica uma  nova ampliação da participação da mesorregião Oeste na produção estadual, prova disso são os investimentos da Aurora, Piracanjuba e Tirol mais recentemente.  Essa vocação lapidada na base da pesquisa, melhoramento e muito trabalho tem origem conhecida. Diversos fatores parecem explicar essas diferenças da produção leiteira no sul em comparação com outras regiões. Mas, talvez o mais importante seja porque a gestão do negócio na Região Sul tenha foco  na inovação tecnológica. 
O perfil dos produtores de leite é o mesmo dos avicultores e suinocultores, que em um passado recente,  ingressaram em uma cadeia de alta demanda por tecnologia e controle.  Junto com isso a garra e persistência, aliada da resiliência de que quem já acompanha o mercado de commodities há décadas, forjaram um produtor de leite de olho no futuro. 
Atento à gestão da propriedade, trabalho iniciado pelo Sebrae com o apoio das cooperativas, que aparecem como fator agregador, condutor da política de melhoramento constante, o nosso produtor/empreendedor vive no campo e do campo, quase sempre com caraterísticas da agricultura familiar. A estrutura enxuta tem como vantagem a capacidade de implantar mudanças mais rápidas, permitindo a agregação de tecnologias e inovações. Onde poderia soar como desvantagem ou falha de mercado, que reduziria poder de barganha na compra de insumos, entra a força organizacional do cooperativismo. Que por meio de pool de compras de insumos, pool de vendas de leite, assistência técnica e auxílio à gestão do negócio, cria um canteiro fértil para uma atividade em crescimento.
Dada a extensão da cadeia, a produção leiteira exerce efeito multiplicador sobre a economia regional, permitindo distribuição espacial da indústria, desde pequenas queijarias artesanais até médios/ grandes laticínios, que geram empregos e renda bem distribuídos. Assim, a bovinocultura leiteira se consolidou como opção econômica para ampla maioria de agricultores da Região Oeste, que hoje conta com aproximadamente 51.614 estabelecimentos que produzem leite, 63% de um universo de 82.143 propriedades rurais. São poucas as regiões do Brasil em que a atividade leiteira gera ocupação e renda para contingente tão significativo de estabelecimentos agropecuários por meio de uma só atividade. Hoje por exemplo volume de produção de leite equivale a quase 450L por habitante/ano.
Instalada a cultura e a tecnologia, resta ao segmento incentivar o aumento do consumo e investir em mecanismos de drenagem do excedente, apostando em qualificação para acessar mercados internacionais. Sonho de consumo de qualquer cadeia produtiva, o mercado asiático  pode ser um destino. A boa nova é abertura do mercado japonês.
O Brasil poderá exportar leite e produtos lácteos para o Japão. Depois de dois anos de negociações, o governo brasileiro foi notificado sobre a abertura do mercado japonês para locais considerados livres de febre aftosa com e sem a necessidade de vacinação. Isso enquadra exatamente o estado de Santa Catarina.
O Japão é o sétimo maior importador mundial de lácteos. Só no ano passado, o país comprou de fora o equivalente a cerca de US$ 1,2 bilhão.
Em 2016, o mercado japonês importou cerca de 62 mil toneladas de soro de leite em pó, 13 mil toneladas de manteiga, 258 mil toneladas de queijos e 201,5 mil toneladas de outros produtos lácteos (leite em pó desnatado, caseína, caseinatos, lactose, entre outros). Temos mercado para produtos e derivados.
Temos o diferencial de ser área livre de febre aftosa sem vacinação, reconhecida internacionalmente pela OIE. O desafio agora é conquistar essa mesma certificação para brucelose, o que coloca o estado em um patamar sanitário diferenciado. Por isso prezamos e enaltecemos o controle sanitário, as barreiras e profissionais responsáveis pelo controle de fronteiras e divisas. Sanidade é o que abre ou fecha mercados.
Além do mercado internacional, nossos profissionais da indústria de alimentos precisam estar atentos ainda para os  ingredientes lácteos inovadores e bioativos para a saúde imunológica, nutrição infantil, saúde gastrointestinal e produtos esportivos. O comportamento do consumidor com demanda por produtos naturais, alternativas aos medicamentos, pode ser um mercado em crescimento acelerado, resta ver quem vai surfar essa onda de leite. Se nós catarinenses, ou uruguaios e argentinos.
 
Cada elo da cadeia tem uma tarefa a cumprir, seja na defesa, seja na abertura de mercado, seja no acesso às nvas tecnologias.
O Núcleo Oeste de Médicos Veterinários e Zootecnistas, que há 18 anos realiza Simpósios Tecnicos anuais, caminhando lado a lado com as cadeias produtivas de aves e suínos, chega ao sétimo Simpósio Brasil Sul de Bovinocultura de Leite oferecendo para a cadeia produtiva os mais diversos temas relacionados ao aumento da produtividade e competitividade porque acredita e aposta na pesquisa, no uso de tecnologias, no poder do conhecimento e no incentivo ao consumo. Durante três dias, especialistas do Brasil, Holanda, Escócia, Estados Unidos e Israel estarão discutindo  temas como Ferramentas e fatores que influenciam a gestão da qualidade do leite, programa de melhoramento genético na qualidade composicional do leite, uso de enzimas na nutrição de bovinos leiteiros,  sistema de ordenha robotizada como alternativa para região sul do Brasil e importância do consumo de produtos lácteos com o preparador físico e especialista em nutrição  Dr. Márcio Atalla palestra realizada em parceria com Projeto #BebamaisLeite, que visa aumentar o consumo interno e facilitar o acesso às informações sobre a importância do consumo de leite em todas as fazes da vida. Estamos nessa ! #bebamaisleite.
 
Por: Luís Carlos Peruzzo – Presidente do Núcleo Oeste de Médicos Veterinários e Zootenistas.
 
Panty Assessoria

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